terça-feira, 8 de agosto de 2017

Vídeos que nos ajudam a compreender melhor o assunto

https://www.youtube.com/watch?v=67lgi3Dhuiw  -  

Avaliação em Larga Escala



https://www.youtube.com/watch?v=V_opr9T8jhQ  -  

Uma análise da ANA: a Avaliação Nacional da Alfabetização

Resumo do texto: "AVALIAÇÕES NACIONAIS EM LARGA ESCALA: análises e propostas"

INTRODUÇÃO E APRESENTAÇÃO DE

PROBLEMAS
     

    A avaliação educacional, especialmente a partir dos anos 90, passou a ser usada, no contexto brasileiro, em diferentes níveis administrativos, como tentativa de encontrar um caminho para a solução de alguns problemas educacionais mais prementes, esperando, possivelmente, que os processos avaliativos determinariam, entre outros resultados, a elevação dos padrões de desempenho, caso fossem conduzidos com o uso de tecnologias testadas na sua eficiência em outras experiências semelhantes, realizadas em diversos países, ainda que com culturas diferentes.
    A grande preocupação de educadores e de pessoas ligadas a problemas educacionais está na qualidade da educação. O objetivo maior, na perspectiva oferecida no decorrer desse encontro, centrou-se na aquisição de conhecimentos, no desenvolvimento de habilidades e destrezas, na formação de atitudes, no despertar de interesses e na interiorização de valores; entretanto, não se considerou em que medida esses resultados se integrariam no contexto de uma sociedade em constante transformação, sujeita à intervenção de múltiplas variáveis nem sempre previsíveis.
    É necessária uma reflexão sobre as avaliações ora operacionalizadas nos vários níveis do nosso sistema educacional, especialmente avaliações em larga escala, abrangendo a diversidade da nossa geografia multicultural, avaliações estas de natureza amostral e supostamente consideradas representativas em termos estatísticos.
     Ainda que nem sempre de forma consistente, na avaliação de competências e habilidades, mas de modo discutível e muito pouco consensual. As questões que se impõem imediatamente, com o objetivo de aprofundar nossas percepções, podem ser propostas da seguinte forma: – são desenvolvidas competências e habilidades em nosso sistema educacional de uma forma sistemática, ou, explicitando, é o nosso ensino orientado para o desenvolvimento de competências? Se for, qual a natureza dessas competências e supostas habilidades? Outra pergunta, que também reflete a nossa perplexidade: – se competências e habilidades foram promovidas, houve, efetivamente, preparo adequado dos educadores em relação a esse complexo e controvertido assunto? E quanto a atitudes, interesses e valores?
    As indagações partem do princípio de que somente se pode avaliar aquilo que efetivamente foi desenvolvido, além de considerar que não se avalia em abstrato, mas considerando a problemática em que se situam os avaliados. Quando pensamos em qualquer dos níveis da avaliação, micro ou macro2, faz-se necessário que consideremos a complexidade do seu processo, que, ao longo dos anos, foi perdendo muito do seu caráter relacional aluno/professor, com vistas à orientação da aprendizagem, passando a concentrar-se, sobretudo, conforme chama atenção Kellaghan (2001), no desempenho institucional e no dos sistemas, como sucede igualmente em outras avaliações com objetivos mais amplos, de que são exemplos, no nosso caso particular, as avaliações promovidas na década de 90 pelo Governo Federal – SAEB – Sistema de Avaliação do Ensino Básico, ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, e ENC –Exame Nacional de Cursos. Se forem considerados alguns aspectos dessas avaliações, constataremos que usam provas escritas, com questões objetivas e questões abertas, geralmente de resposta curta, havendo situações, entretanto, em que a prova de redação é exigida. Observamos, assim, que não existem provas práticas, orais ou avaliações observacionais, como lembra Kellaghan.
    As avaliações são realizadas para diferentes fins, ainda segundo o posicionamento de Kellaghan (2001), destacando-se, inicialmente, como uma de suas prioridades, a identificação de problemas de aprendizagem, com o fito evidente de imediata superação do quadro apresentado. (Evitamos a palavra recuperação, tendo em vista o seu atual descrédito no meio educacional.) A realidade, entretanto, é bem diversa do imaginado e pretendido. O impacto dos resultados pode ser considerado mínimo, por razões várias: – os relatórios, elaborados para administradores, técnicos e, em geral, para os responsáveis pela definição e implementação de políticas educacionais, não costumam chegar às mãos dos professores para fins de análise, discussão e estabelecimento de linhas de ação. São demasiadamente técnicos, empregando um linguajar pleno de tecnalidades muitas vezes desconhecidas dos docentes e que poderiam ser evitadas. Por outro lado, esses mesmos resultados são apresentados em termos globais, sem identificação, como seria desejável, das unidades escolares, referindo-se, quando muito, a unidades macro, os estados, e, nestes, eventualmente, às regiões geo-educacionais (superintendências ou delegacias de ensino). Ainda que os resultados dos desempenhos sejam apresentados em escalas elaboradas por intermédio de rigorosos procedimentos estatísticos, e com a especificação dos vários níveis correspondentes de competência, dificilmente os professores têm condições técnicas para interpretar dados que resultam da expertise técnica dos responsáveis pelos relatórios. Destaquemos, também, que há uma certa resistência, nem sempre explicitada, mas infundada, por parte de professores e alunos, aos resultados de avaliações amostrais, traduzindo, assim, certa dose de incredulidade em relação à generalização das conclusões. É comum ouvirmos: – “a minha escola não fez parte da amostra” ou “os meus alunos não foram sorteados para a composição da amostra”. Tudo isso faz com que importantes avaliações tenham o seu impacto, quando ocorre,
A avaliação – sempre considerando o caso brasileiro – procura, igualmente, estabelecer a eficiência dos sistemas, avaliando, indiretamente, o êxito da ação docente dos professores. Avaliar professores, direta ou indiretamente, é sempre um processo que demanda grande sensibilidade, pois gera múltiplas reações com ressonâncias negativas, qualquer que seja o contexto. A avaliação do professor, por sua vez, é vista com certa suspeita, pois, na concepção dos avaliados, e às vezes com justa razão, pode significar, em muitos casos, transferência de escola ou de cidade, redução salarial, diminuição do número de aulas, concessão de bônus para os supostamente melhores e, ainda, numa situação extrema, demissão. Tudo isso integra a mitologia educacional, bastante fértil em imaginar situações as mais diversas. Avaliar o professor é sempre tarefa difícil e ingrata, mas deve ser feita, desde que com competência e, sobretudo, bom senso.



AVALIAÇÕES SISTÊMICAS – ALGUMAS

QUESTÕES CRUCIAIS


    Ainda nos anos 90 houve grandes avaliações dos sistemas estaduais de ensino no Brasil, ligadas, na maioria das vezes, a projetos educacionais financiados pelo Banco Mundial. Essas avaliações apresentaram-se de diferentes formas: – algumas, realizadas pelas próprias Secretarias de Educação; outras, por órgãos estaduais nem sempre diretamente ligados à área da educação; um terceiro grupo, com a colaboração de Fundações, instituições de direito privado especializadas na avaliação e seleção de recursos humanos; finalmente, um quarto grupo realizou suas avaliações sistêmicas estabelecendo consórcios com múltiplas instituições de ensino público e privado de terceiro grau, sob a coordenação de uma universidade de prestígio orientadora de todo o processo. Tudo isso gerou diferentes experiências, mas não contribuiu para a formação de um know how coletivo, pois, na maioria dos casos, essas experiências não se transformaram em vivências que pudessem ser intercambiáveis e a própria divulgação dos resultados foi precária, sem atender aos diversos segmentos educacionais potencialmente interessados nos resultados e nas conclusões das avaliações.
    Algumas avaliações sistêmicas tiveram um caráter censitário, mas a maioria optou pela adoção de avaliações amostrais. As primeiras, ainda que apresentassem custos elevados, tendo em vista o número expressivo de alunos e a problemática de uma logística complexa, foi resultado de uma decisão política: – fazer com que todo o sistema participasse da problemática da avaliação e não se limitasse apenas a colaborar na aplicação dos instrumentos, mas fosse partícipe inclusive da construção dos instrumentos e dos trabalhos de uma correção preliminar.

OBS: Neste resumo há excertos retirados do texto.

Heraldo Marelim Viana
Pesquisador Sênior do Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundanção Carlos Chagas, São Paulo, SP


Saeb: Sistema de Avaliação da Educação Básica

O que é o Saeb?

    O Sistema de Avaliação da Educação Básica, instituído em 1990, usa avaliações externas em larga escala para fazer um diagnóstico da educação básica brasileira e de fatores que podem interferir no desempenho do estudante, fornecendo um indicativo sobre a qualidade do ensino ofertado. O levantamento produz informações que subsidiam a formulação, reformulação e o monitoramento das políticas públicas nas esferas municipal, estadual e federal, em busca da melhoria da qualidade, equidade e eficiência do ensino. O Saeb também fornece dados e indicadores sobre fatores de influência do desempenho dos alunos nas áreas e anos avaliados.    O Saeb, Sistema de Avaliação da Educação Básica, de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é um sistema composto por três avaliações externas, que são aplicadas em larga escala e que têm como principal objetivo diagnosticar a educação básica do Brasil.    O resultado dessas avaliações é usado para calcular o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que também é calculado a partir dos dados de aprovação escolar obtidos no Censo Escolar e fornece, portanto, indícios sobre a qualidade de ensino oferecido nas escolas de todo o país.    A partir de 2018, todas as escolas que participarem da aplicação censitária do Saeb e que cumprirem critérios determinados terão seu Ideb calculado. O índice é divulgado a cada dois anos e, com o encerramento da divulgação do ENEM por Escola, a população terá uma avaliação mais ajustada das instituições de ensino brasileiras.

Como o Saeb funciona?
    Hoje em dia, três avaliações compõem o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). São elas: ANA (Avaliação Nacional da Alfabetização), Aneb (Avaliação Nacional da Educação Básica) e Anresc (Avaliação Nacional do Rendimento Escolar), mais conhecida como Prova Brasil.

    Desde 1990, várias mudanças aconteceram no Saeb. Para se ter uma ideia, naquele ano, o público-alvo do sistema eram as 1ª, 3ª, 5ª e 7ª séries do Ensino Fundamental de escolas públicas selecionadas amostralmente. As áreas do conhecimento/disciplinas avaliadas eram Língua Portuguesa, Matemática, Redação e Ciências Naturais.    A Portaria 564, divulgada no dia 19 de Abril de 2017, determina que o público-alvo do Saeb passará a ser:
1) Todas as escolas públicas, localizadas em zonas urbanas e rurais, que possuam dez ou mais estudantes matriculados em turmas regulares de 3º, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental;
2) Todas as escolas públicas e privadas, localizadas em zonas urbanas e rurais, que possuam pelo menos dez estudantes matriculados em turmas regulares na 3ª série do Ensino Médio ou na 4ª série do Ensino Médio, quando esta for a série de conclusão da etapa;
3) Uma amostra de escolas privadas, localizadas em zonas urbanas e rurais, que possuam estudantes matriculados em turmas regulares de 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio, distribuídas nas vinte e sete unidades da Federação.


Veja a tabela comparativa abaixo:
  

Qual a diferença entre Aneb e Prova Brasil?

    Basicamente, a principal diferença entre essas provas é o público-alvo ao qual é aplicada e o resultado que cada uma oferece.
*Até 2015.
    O objetivo dessas avaliações é avaliar as redes ou sistemas de ensino e NÃO os alunos individualmente. Por isso, elas são construídas e aplicadas com esse foco.
“Os resultados não refletem a porcentagem de acertos de um aluno respondendo a uma prova, mas a de um conjunto de alunos respondendo às habilidades do currículo proposto, distribuídas em várias provas diferentes. O resultado se dá pela representatividade de um grupo de alunos como uma unidade dentro do sistema de ensino.” Fonte: Portal do Inep


O Saeb será obrigatório para as escolas privadas?

    
    No dia 20/04/2017 o Ministério da Educação publicou a portaria que define o público-alvo do Saeb a partir de 2017. Com ela, fica determinado que:
O Saeb é obrigatório para as escolas públicas e facultativo para as escolas privadas.
Todas as escolas públicas, portanto, terão seu Ideb calculado. As escolas privadas interessadas em ter o índice aferido deverão participar do Saeb, mediante o cumprimento dos seguintes procedimentos:
a) assinatura de Termo de Adesão, a ser disponibilizado pelo Inep em sistema próprio; e
b) recolhimento de valor fixado*, por meio de Guia de Recolhimento da União GRU. Os valores são baseados na quantidade de alunos matriculados em turmas regulares de 3ª série:
1) entre 10 e 50 alunos matriculados – deverão recolher taxa de R$ 400;
2) entre 51 e 99 alunos matriculados – deverão recolher taxa de R$ 2.000;
3) a partir de 100 alunos matriculados – deverão recolher taxa de R$ 4.000.
*Apenas as escolas privadas irão pagar a taxa.

Resultados do Saeb

    Os resultados da última edição do Saeb, aplicada em 2015, foram divulgados em setembro de 2016, por escola, por município e por unidade da federação.    Em 2015, o Saeb contou com a participação de mais de 57 mil escolas e mais de 3 milhões de estudantes.    Na apresentação dos resultados do Saeb, foram evidenciadas as evoluções dos resultados por disciplina e por estado.    Os anos iniciais do Ensino Fundamental apresentaram a maior evolução ao longo dos anos tanto em Língua Portuguesa quanto Matemática.

 

A importância do Saeb para as escolas

    A partir de 2017, o Saeb do ensino médio será universal para todas as escolas do Brasil. Isso significa que a participação não será apenas amostral. Ou seja, TODAS as escolas poderão ter o seu Ideb calculado.  Além de poder comparar as médias de proficiência da escola com escolas similares, os gestores também podem acompanhar a evolução do desempenho dos alunos em outras edições das avaliações.
    Além de trocar boas práticas, os gestores podem fazer um trabalho com toda equipe pedagógica da escola para analisar esses dados, identificar os pontos de melhoria e definir quais ações devem ser propostas nos próximos anos.

O desafio do engajamento dos alunos

    O Saeb e suas avaliações NÃO entram no boletim escolar dos alunos, pois elas não têm o objetivo de avaliá-los. Além disso, eles estão focados em passar de ano, se preparar para o ENEM e vestibulares e em suas outras atividades do dia a dia.    Segundo o próprio portal do Inep, o ideal é trabalhar normalmente com os alunos, “cuidando para que cada um tenha um adequado processo de aprendizagem” e garantir que eles participem e respondam às questões com seriedade.    Portanto, é muito importante conscientizar os alunos e seus responsáveis sobre a importância do Saeb e como ele contribui para a melhoria da educação. Se os professores e gestores não souberem como está o aprendizado e sua evolução, dificilmente intervenções assertivas serão realizadas para melhorar o aprendizado dos alunos.
Fontes: http://appprova.com.br/saeb/
             portal.inep.gov.br

Resumo do texto: “AVALIAÇÃO EM LARGA ESCALA: uma proposta inovadora”



    A avaliação educacional é um sistema de informações que tem como objetivos fornecer diagnósticos e subsídios para a implementação ou manutenção de políticas educacionais. Ela deve ser concebida também para promover um contínuo monitoramento do sistema educacional com vistas a detectar os efeitos positivos ou negativos de políticas adotados.
  Um sistema de avaliação deve obter e organizar informações periódicas e comparáveis sobre os diferentes aspectos do sistema educacional.


    Os objetivos da avaliação em larga escala do sistema escolar, aqui propostas, são os de informar o que populações e subpopulações de alunos em diferentes séries sabem e são capazes de fazer, em um determinado momento, e acompanhar sua evolução ao longo dos anos.
    Uma das técnicas empregadas, hoje em dia, é o planejamento em blocos incompletos balanceados, na qual os itens são agrupados em blocos. Feito isso, são compostos cadernos de teste dep blocos, de tal modo que cada bloco apareça o mesmo número de vezes em cada posição dos cadernos, e cada par de blocos apareça uma vez e somente uma vez em um dos cadernos. Este planejamento, além de testar se a posição do bloco tem  influência nas respostas dos alunos permite calcular a correlação entre dois itens de teste quaisquer. Distribuídos em espiral, os cadernos garantem que a aplicação seja aleatória e que alunos na mesma turma respondam, em geral, a cadernos diferentes, ainda que cada caderno de teste seja aplicado aproximadamente no mesmo número de alunos na amostra.
    Dados que os alunos respondem a vários cadernos de teste diferentes, não faz sentido apresentar escores de resultados individuais dos alunos, pois eles não são comparáveis. Pode-se, por exemplo, utilizar indicadores usuais, tais como os percentuais de acerto por item, para a população e subpopulações pesquisadas.


OBS: Neste resumo há excertos retirados do texto.


Ruben Klein - Pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/ CNPq) e consultor da Fundação Cesgranrio.

Nilma Santos Fontanive - Professora adjunta da UFRJ e consultora da Fundação Cesgranrio.


http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/article/viewFile/2025/1994  Acessado em 19/07/2017